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Pesca Nordeste - O seu Portal de Pesca Esportiva - Crônica de um camurupim perdido...
     
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Crônica de um camurupim perdido...
Por Marco Antônio Guerreiro Ferreira   
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Praia cheia, gritos de crianças, risadas e muito sol. Maré vazando e saúna começando a sair da lagoa. O fim da tarde também se aproxima.

Caminho lentamente para as pedras. A preguiça que chegou junto com os aperitivos e tira-gostos ainda não foi embora, mas fazer o que? Não tenho forças para lutar contra esse  micróbio incurável. Além do mais, sei que é hora dele, e a esse encontro não posso faltar...

Um vento forte sopra do mar. Prendo então ao “snap” uma “TOP DOG” modificada, em torno de 50 gramas.

Com uma quebrada de pulso carrego a vara e deixo voar a isca. Polegar velho de guerra sutilmente acariciando o carretel em seu giro desenfreado, zunindo e aos poucos perdendo força. Ao cair a isca n`água  acabo com seu lamento, pressionando firme mais suavemente, como convém se comportar com um velho amigo.

Um, dois, três... Vários arremessos e nada...

Após longo tempo, o pensamento já caminha de encontro ao fim da pescaria, quando...

Meus amigos, quão impressionante é a corrida de um camurupim criado... Em questão de segundos uma corrida desembestada, misturada com saltos espetaculares, quase esgota a linha do carretel, e, antes de se tomar uma atitude, já era...

É o comportamento usual na boca da barra de Tibau quando o bicho é grande.

Pois bem, a estória se repete mais uma vez. Uma pequena platéia, ensandecida, acompanhou a refrega, torcendo e palpitando, como é de sua natureza: Dá linha... Segura... É peixe?... O que houve, rebentou?...

Eu com cara de bocó mais uma vez! O que fazer? Esperar a próxima...

O que vocês acabaram de ler foi uma pequena narrativa de um dia de pescaria despretensiosa e até bem pouco tempo possível. Mas o progresso foi chegando, as rêdes aumentando, manguezais sumindo, depredação continuando, e, o mais importante, falta de educação ambiental e política de conscientização ecológica. Não podemos apenas consumir, consumir, consumir...

Entretanto, como convencer um pescador nativo, que sempre viveu da pesca, a soltar uma parcela do pescado, respeitar épocas de reprodução, etc... O que ele sabe aprendeu com os pais e o exemplo da comunidade a que pertence. Embora reclame da diminuição dos peixes, nunca toma para si uma parte da responsabilidade da situação.

Mas não estou aqui para fazer acusações nem apontar soluções, mesmo porque não as tenho. Apenas quis lembrar aos amigos as duas faces da moeda, para mostrar esse belo camurupim pescado com linha de mão, por nativo da região, e que serviu de modelo para a foto com nosso amigo Franz, aqui de Tibau. Lamentavelmente foi morto, assim como todos que são capturados, sem que o significado da idéia do Pesque&Solte e dos dividendos que poderia gerar como turismo de pesca amadora tenham algum peso.

Daqui a alguns anos, olharemos essa foto e ficaremos imaginando que tenham pertencido algum dia a algum paraíso perdido.
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