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Zé Bago e Óta (solucionado o problema)
Por Roberto Menks   

(ler primeiro Zé bago e o touro do Pareia)

Óta e Zé Bágo recolheram uns novilhos no curral com o propósito de escolher um para substituir o que Zé Bágo inadvertidamente castrara apenas para comer os bago frito. Isso teria que ser feito de forma que o Pareia não desconfiasse, o que não seria muito difícil. Afinal, eram quase todos iguais, nelores, brancos e mochos. Apenas por precaução, teriam que apartar o que mais se assemelhasse com o infeliz desventurado. Selaram um acordo que, a permanecer tudo bem entre as partes, nada seria revelado ao patrão. Pacto de mútua confiança que, entre gente dessa estirpe nunca é desfeito. Zé Bágo agradecido, já nutria grande respeito ao companheiro que, condescendente evitara o prejuízo no primeiro salário ou até, porque não, o desemprego prematuro. Selecionaram, entre alguns, dois garrotes que na avaliação do Óta, nem o cão iria desconfiar ainda mais o Pareia. Por ora, faltava eleger o que seria juntado aos demais para futuros reprodutores da fazenda, talvez já para o próximo ano.
—Esse daqui tá com o zóio meio de banda e o espinhaço arriado.—ponderou Zé Bágo.— As venta tão muito seca! —concluiu Óta, decretando o futuro do preterido.
—Vamu dexá ele preso até amanhã, modi misturá com os outros.
O que ficara, foi examinado mais uma vez, de cima a baixo. Talvez a escolha fosse até melhor do que a do Pareia, afinal acompanhara o nascimento de todos eles e com a experiência acumulada durante anos e anos na profissão de vaqueiro, não poderia enganar-se. Até a marca a ferro estava na mesma posição, na parte de cima da paleta do lado esquerdo. Não tinha erro!
Alguns dias depois, no pouco tempo que lhes sobravam, Óta estava preparando um coalho para o leite de uns queijos, parte integrante da dieta na fazenda, quando notou por uma fresta da cozinha, um movimento suspeito de Zé Bágo. Saiu apressado para o quintal e viu o companheiro que, arqueado sobre uma pedra de amolar, próximo ao curral onde estava preso o novilho escolhido a dedo na tarde anterior, fazia movimentos rápidos de vai e vem com os braços afiando seu canivete de estimação. Óta disparou na direção de Zé Bágo e desesperado bradou:
—Ô corno fiu de rapariga, larga esse canivete de mão! Tu és doido é? Se capá o outro novilho eu arranco seus culhões também! Tu guarde esse canivete que aqui não vai capá mais boi nenhum! — esbravejou Óta de forma agressiva e hostil, como ainda nunca tivera presenciado Zé Bágo
—Num se avexe naum homi!—respondeu tranqüilo o vaqueiro, sem que parasse os movimentos. —Num vô capa boi nenhum naum! Só táva dando fio no canivete modi raspá umas tiras de couro!
—Ah bão! —suspirou aliviado o Óta, voltando ao trabalho, mas de olho na fresta da porta. Minutos mais tarde Zé bago se aproximou do companheiro, com jeitão de leso passando o polegar da mão direita sobre o gume da lâmina do canivete para testar o fio e puxô prosa:
—Tive arreparando uns garrote aculá prás banda do rio tudo bão de engordá.
Óta permaneceu em silêncio, fingindo não ter ouvido a insinuação, concentrado que estava no queijo que acabara de prensar na forma de pau de castanheira, o mió que há. Zé Bágo, não se deu por satisfeito. Sentou-se ao lado dos cachorros que cochilavam com as cabeças entre as patas e arriscou:
—Tô achando esses cachorro muito magro! Tá naum Óta? O côro chega tá desapregando do espinhaço—insinuando que os cães precisavam de comida e era óbvio que o menu teria que ter os testículos do gado, a pretexto de também se deliciar com o petisco.
—Oiá aqui Zé bago, tu cale essa boca! Num pensa em outra coisa não? Só capá boi, fiu de uma égua! Me deixe de mão homi!
—Tá bão, tá bão Óta! Mais que o bichinho tão só no osso, isso tão! Si tivesse uns bago modi fazê um cuzido prá eles...era bão!

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